A moda das bolsas analógicas e como sobrevivíamos sem celular
É incrível como a internet amplifica ideias e como elas podem, depois de alguns likes, virar “moda” e, em se tratando de moda, quase sempre trazendo algo do passado né? Pois a nova “moda” agora tem a ver com bolsa, mas não se trata de grife nem de modelo, e sim do conteúdo. A bolsa do momento é a analog bag, em bom português: bolsa analógica.
Num mundo que nos enche de informações e que nos impõe estar sempre on-line , a proposta é desconectar! Dar um tempo nas redes sociais e nas telas, desintoxicar do digital e investir em atividades manuais. E é aí que entra a analog bag. Ela serve como um verdadeiro kit offline, oferecendo “ferramentas” para uma vida mais analógica.
O conteúdo da analog bag fica “a critério do freguês” como a gente costuma dizer. Pode ter livros, palavras-cruzadas, material de bordado ou de tricô, livros de colorir, etc…
Segundo o The Guardian, o termo foi cunhado pela criadora de conteúdo Sierra Campbell, 31 anos, moradora da Califórnia, que apresentou sua analog bag no Tik Tok. Logo a ideia viralizou com a ajuda da geração Z e virou trend e hoje as redes estão cheias de gente dividindo com seus seguidores o conteúdo das suas bolsas analógicas.
Mas essa tendência vai além, faz parte de um movimento contra a cultura do “doomscrolling“, que é aquele hábito de ficar constantemente rolando o feed do Instagram ou do Tik Tok e aquela pressão para estar sempre online.
Uma pesquisa da Consumer Pulse divulgada em julho do ano passado revelou que os brasileiros passam, em média, mais de 9 horas por dia navegando na internet. Desse tempo, mais de 3 horas são dedicadas exclusivamente às redes sociais. Esses números colocam o Brasil acima da média global em termos de tempo de conexão e num posto de um dos países mais conectados do mundo. Mas a pesquisa também apontou para um certo desconforto desta hiperconexão e o desejo de muitos usuários de ter uma relação mais saudável com a tecnologia e com a internet.
Tenho pensado bastante sobre isso e me achando mais dependente das redes sociais. Vocês também andam assim? Tudo é desculpa pra dar uma “rosadinha no feed”….
E aí, voltando ao início deste texto e de como a moda é cíclica, lembrei das minhas bolsas na juventude. Antes do celular fazer parte da vida de todos nós (sim, eu vivi e sobrevivi bem sem celular….kkkk). E não é que cheguei nas as analog bags? Elas são exatamente as bolsas que nós, hoje com 50, 55 anos, carregávamos um dia inteiro no ombro.

Nas minhas bolsas eu levava livros, palavras-cruzadas, agenda, cadernos, cadernetas, máquina fotográfica pra registrar algo no caminho pra faculdade, um copo de couro com dados pra jogar General no intervalo das aulas e às vezes até um tricozinho pra fazer caso eu tivesse de passar o tempo.
E eu vivia bem sem o celular e apesar da correria de uma jovem jornalista até que o tempo nao parecia passar tão rápido….
A questão é que nossos “cacarecos” analógicos foram todos pra dentro do celular: minhas palavras cruzadas, meus livros, a máquina pra fotografar, o jogo, o caderno de anotações, e ainda tem todos os jornais do mundo, as TVs, os sites de notícias, a música, o banco, as lojas e a vida de vários amigos passando no meu feed o dia todo.
É difícil resistir, a internet é muita tentadora….
Mas acho que vale a pena entrar nesta tendência na tentativa de tirar um pouco os olhos das telas e descansar o cérebro de tanta informação!
Ler um livro com calma. Bordar, tricotar, desenhar. Ouvir música sem fazer nada a mais. Curtir cada atividade por si só. Sem ter pressa nem objetvos maiores. Simplesmente curtir.
O que tu acha? Tu carrega só o celular ou tem uma analog bag? E o que carrega nela? Me conta!
Fontes: The Guardian, CNN Brasil