Paraíso no Atlântico
Saiba porque os Açores lideram o crescimento turístico em Portugal
O Arquipélago dos Açores é uma Região Autônoma de Portugal localizada no Atlântico com autonomia política e administrativa mas, é claro, uma forte ligação cultural e histórica e, por vezes, controversa com os portugueses do continente. É formado por nove ilhas num total de cerca de 250 mil habitantes. A ilha mais populosa é São Miguel, cuja a capital é Ponta Delgada. Dali partem e chegam vôos diários para vários países da Europa, Estados Unidos e Canadá e para as outras ilhas, através da TAP e da Sata, a companhia aérea dos Açores.
Com quase seis séculos de história, por sua localização estratégica, se consagrou como escala para as expedições dos Descobrimentos e para as naus que percorriam o Caminho das Índias. Os portugueses começaram a habitar as ilhas por volta de 1430. Depois chegaram os flamengos, bretões e outros europeus, cujos hábitos – e a própria língua – até hoje influenciam a cultura da região.
Gente simples e acolhedora, lindas paisagens, um clima ameno (média de 13 graus no inverno e 24 graus no verão) e a proximidade com a Europa e com a América do Norte (traçando uma linha reta no mapa, o arquipélago fica praticamente no meio entre Nova Iorque e Lisboa), tudo isso somado aos preços baixos atraem cada vez mais turistas. Segundo dados recentes do Instituto de Estatísticas Português, os Açores lideram o crescimento turístico do país. Só em junho deste ano houve um aumento de 18,6% nas estadias da rede hoteleira nas ilhas enquanto o avanço no Alentejo por exemplo foi de 11,4% e no centro do país de 14%. Muitos vem pela natureza intocada, atrás trilhas e aventuras. Outros, pela curiosidade de passar uns dias no meio do Atlantico (diga-se, com todo o conforto!) e ter a sensação do que é viver em ilhas vulcânicas. Sim, é difícil esquecer disso numa temporada nas ilhas!

A origem vulcânica
A expressão máxima da origem vulcânica temos na Ilha de São Miguel – a ilha com mais vulcões ativos – e, na minha opinião, na Caldeira das Furnas, onde vários restaurantes preparam o famoso Cozido. São grandes panelas com vários tipos de carnes e legumes colocadas embaixo da terra através de cordas.

A imagem da Caldeira das Furnas com suas “fumarolas” é impressionante! Nas margens de um lago cercado por uma vegetação densa e de um verde intenso, um terreno com fendas de onde sai vapor com um forte cheiro de enxofre.
Depois de se impressionar com a caldeira, os viajantes curiosos seguem para a pequena vila onde no horário do almoço os restaurantes servem o cozido. O prato em si, não tem nada de extraordinário – depende do tempero de cada cozinheiro -mas é impactante pensar que aquilo foi preparado com o calor que está debaixo de nós….

Nas redondezas da vila, além de varias fontes públicas, o Furnas Boutique Hotel – Thermal & Spa recebe turistas do mundo todo atrás do poder das famosas águas termais das Furnas e tratamentos de beleza e relaxamento. Tudo gira em torno da origem vulcânica das ilhas.
As ilhas
A ilha mais antiga é Santa Maria, com cerca de 8 milhões de anos. A “caçula”, a ilha do Pico, com aproximadamente 300 mil anos. Mas engana-se quem pensa que as erupções vulcânicas remontam a um passado distante. A mais recente atividade vulcânica ocorreu no Vulcão dos Capelinhos, na Ilha do Faial em 1957. Uma crise sísmica que durou 12 dias e teve mais de 200 abalos da terra. Foram projetadas toneladas de cinzas na erupção , o que aumentou a superfície da ilha. O lugar hoje virou ponto turístico e é impressionante. Parece um cenário de filme de ficção cientifica.

A terra árida e cinza, sem vegetação, o mar de um lado, e de outro ilha habitada e com sua rotina inalterada. Debaixo da terra um museu super moderno conta a história de erupção, lembrada até hoje por muitos açorianos. Mas a ilha do faial tem varios outros atrativos.
Ponto de encontro de Navegadores
A sua localização na zona central do Atlantico Norte fez com o arquipélago tenha se tornado há séculos parte fundamental do percursos dos navegadores e hoje, navegadores de recreio. A Marina da Horta é uma das mais movimentadas do mundo. Recebe gente de vários países que deixa recados e pinturas coloridas nos muros.

A superstição indica que isso garante proteção divina no resto da viagem… De lá, muitos vão ao Peter Café Sport.
“Se velejares até a Horta e não visitares o Peter, não viste a Horta na realidade”
O café fica bem próximo da marina. Existe desde 1918 e virou ponto de encontro de navegadores do mundo todo que passam por lá nas viagens entre a América do Norte e do Sul e a Europa. Em 1986 a revista Neewsweek considerou o Peter um dos melhores bares do mundo. Não é pra tanto! A comida e o atendimento são bons mas o que vale mesmo é a história e a decoração do local com bandeirolas e recados de navegadores do mundo todo. E serve um excelente Gin Tônica.

A circulação entre as ilhas
A ilha do Faial pertence ao grupo Central do arquipélago junto com São Jorge, Graciosa, Terceira e a Ilha do Pico, que tem a maior montanha de Portugal e uma das paisagens mais bonitas do mundo. O transporte da marina da Horta (Ilha do Faial) para o porto da Madalena (Ilha do Pico) é feito por um ferryboat super moderno, confortável, seguro e com toda a infraestrutura: ar-condicionado, bar, banheiros e TVs. Pertence à Atlanticoline, que faz a ligação fluvial entre as ilhas com varias rotas. Com o mar tranquilo, em 30 minutos se vai de uma ilha à outra. O preço da passagem simples gira em torno dos 7 Euros, mas pode-se adquirir pacotes pra toda a família e transportar carro também, o mais indicado para quem quer passear no Pico.
A Ilha do Pico

Um dia é suficiente para conhecer a ilha. Minha dica é alugar um carro no Faial e fazer a travessia do ferryboat já com o carro. Bem fácil. Apesar de ter apenas 14 mil habitantes, o Pico é a segunda maior ilha do arquipélago, com 447 km2. Pode-se dar a volta na ilha num dia, parando para almoçar no belo hotel Aldeia da Fonte Nature Resort. Inesquecível o bacalhau com crosta de broa que comi lá por apenas 10 Euros. Um ambiente tranquilo em meio à natureza. Depois, uma visita ao surpreendente Museu dos Baleeiros, que mostra a importância histórica da baleaçao artesanal para a região. O museu ocupa três casas antigas onde os baleeiros guardavam seus botes e uma tenda de ferreiro do século XIX, que ainda conserva as características originais. No museu é possível ver como era feita a caça aos cachalotes e conhecer as peças em osso e dente de baleia esculpidas e gravadas, trabalho artesanal conhecido como “Scrimshaw”.
As outras ilhas
Além do grupo Central, o arquipélago é formado pelo grupo Oriental, com Santa Maria (a ilha mais próxima do continente português) e São Miguel; e o Grupo Ocidental, com as pequenas ilhas das Flores e Corvo, esta última a menor, com apenas 17,11 km2 de área e cerca de 450 habitantes. Isso mesmo, 450 habitantes de acordo com dados de 2011. Todas as ilhas tem aeroportos, inclusive o Corvo para onde voam aeronaves menores, com cerca de 35 lugares.
A Ilha de São Miguel

É a maior das ilhas, com 746,82 km2 e minha sugestão para sua “base”nos Açores. De lá é fácil se deslocar de uma ilha pra outra (embora não seja barato…) e desfrutar de lugares interessantes. A capital, Ponta Delgada, possui um centro bonito e preservado, com um bom comércio e restaurantes baratos que servem comida regional e internacional. Do centro, um bonito calçadão vai costeando o mar até chegar à marina, moderna, com um anfiteatro, uma piscina natural, lojas, restaurantes e o porto onde atracam grandes navios de cruzeiros vindos de todo o mundo.
Ali, vários hotéis oferecem hospedagem de luxo, com conforto e padrão europeu. Nós ficamos no Hotel Marina Atlantico, de frente para a marina. Com uma vista linda, localização perfeita e atendimento e serviço impecáveis.
Com uma densa vegetação e muitas hortênsias, Sao Miguel é conhecida como a “Ilha Verde”e possui inúmeros atrativos. Parques, praias, igrejas e pequenos vilarejos, tudo ligado por estradas perfeitas e bem sinalizadas. Dirigir lá é muito fácil!
A Lagoa do Fogo
Bem no centro de São Miguel fica um dos cenários mais impressionantes: a Lagoa do fogo. Localizada no topo do grande vulcão do fogo, a lagoa é a mais alta da ilha. Foi formada a partir de uma erupção que ocorreu no século 16. De águas azuis, foi reconhecida como uma das 7 maravilhas de Portugal em 2012.

A Lagoa das Sete Cidades
Outro passeio imperdível na Ilha, esta imensa lagoa fica no fundo da caldeira das Sete Cidades, uma pequena e charmosa freguesia, com cerca de 4 km2 . Foi formada por colapsos sucessivos de dois relevos que a contornam. Por causa da vegetação ao redor, a lagoa tem dupla coloração. Uma ponte separa de um lado um espelho d’água de cor verde e do outro, de tom azul. Isso deu origem a uma lenda. De que os reis dessa terra tinham uma linda filha que não gostava de sentir-se presa nas muralhas do castelo e saia todos os dias para o campo. Adorava o verde, passeava pelas aldeias e vales. Durante um destes passeios conheceu um pastor, filho de gente simples do campo. Se apaixonaram e passaram a se encontrar todos os dias até que o amor foi descoberto e proibido pelo pai da princesa. Quando os dois jovens se encontraram pela ultima vez, choraram tanto por causa da despedida forçada que a seus pés aos poucos foram nascendo duas lagoas. Uma lagoa azul, da cor dos olhos da princesa. A outra lagoa verde, da cor dos olhos do pastor.
Bonito né? Pois essa é só uma das lindas histórias contadas aqui por esse povo hospitaleiro e orgulhoso de seu passado, mas que vive o presente e planeja o futuro com responsabilidade preservando sua terra e valorizando sua cultura. Conhecer os Açores é voltar nas nossas origens mas também aprender como uma comunidade pode esta aberta e conectada com o mundo, sem abrir mão do que é seu. Eu, se fosse você, pensava no arquipélago quando planejar suas próximas férias. Você não vai se arrepender.
Quer saber mais? Clique aqui.
Ilha de São Miguel –
Furnas Boutique Hotel Thermal & Spa – furnasboutiquehotel.com
Hotel Marina Atlantico – bensaude.pt/hotelmarinaatlantico
Ilha do Faial –
Peter Café Sport – www.petercafesport.com
Pousada Forte da Horta – www.pestana.com
Restaurante do Genuíno Madruga – Areinha Velha, 9 – genuino.pt
Atlanticoline – Atlanticoline.pt
Ilha do Pico –
Aldeia da Fonte Nature Resort – aldeiadafonte.com
Museu dos Baleeiros – Rua dos Baleeiros, numero 13
Cella Bar – cellabar.pt
10 razões para passar férias em Portugal! - Lúcia Mattos
18 de maio de 2018 @ 12:28
[…] https://luciamattos.com/paraiso-no-atlantico/ […]